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Bolso e Futuro

Bolso e Futuro é um programa de Educação Financeira e Previdenciária da Vikingprev.

O objetivo é disseminar conhecimento e orientar os participantes sobre a importância de um planejamento financeiro e previdenciário.

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Protegendo a resiliência financeira por 100 anos

Postado em: 05/08/2020

Créditos: Por Yvonne Sonsino

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Hoje, vivemos 10 anos a mais que a geração de nossos pais e 20 anos a mais que a de nossos avós, mas a maneira que sociedades e indivíduos preparam-se para a aposentadoria não está alinhada à nova realidade demográfica. Cada vez mais, pessoas verão suas economias se esgotar antes do tempo: segundo estudos da Mercer, os indivíduos sobreviverão, em média, por mais 20 anos após suas poupanças acabarem. As mulheres estão no extremo mais acentuado dessa escala, vivendo mais e poupando cerca de 40% menos para aposentadoria que os homens.  Um dos principais objetivos para redesenhar a aposentadoria é garantir resiliência financeira para essa nova longevidade – tornando melhor a vida mais longa.

Diante do fato que viverão além do que economizaram, por uma margem significativa, funcionários precisam de orientação para melhorar seu bem-estar financeiro. O estudo da Mercer denominado Tendências Globais de Talentos 2020 aponta que a preocupação financeira número 1 dos funcionários é economizar o suficiente para a aposentadoria. Independentemente da idade, 68% dos entrevistados dizem querer aconselhamento e avaliações sobre bem-estar financeiro, e 61% dizem ser importante saber se estão no caminho certo quando o assunto é poupar o suficiente para aposentadoria. Porém, as organizações demoraram para entender: globalmente, apenas 23% oferecem algum tipo de educação financeira à força de trabalho – percentual que certamente é ainda menor no Brasil.

E se garantir bem-estar financeiro já era importante antes da pandemia, agora tornou-se imprescindível. Os impactos econômicos da COVID-19 trouxeram mais desafios para os planos de aposentadoria, enquanto mercados de investimento recuam, taxas de juros continuam baixas e as empresas retiram os pagamentos de dividendos dos quais as aposentadorias dependem. Como vimos durante a crise financeira de 2008, uma em cada dez organizações interrompeu as contribuições correspondentes aos fundos de pensões, e sabemos, da experiência daquela crise, que as finanças das pessoas nunca se recuperam logo na sequência. Em alguns países foi autorizado saque antecipado dos fundos de pensão, mas sabemos que essa decisão terá impactos no longo prazo.

Consequentemente, é provável que mais pessoas precisem continuar trabalhando. Antes da pandemia da Covid-19, 72% dos baby boomers diziam pretender trabalhar após a idade de aposentadoria. A pressão sobre as empresas aumentará. Sete em cada dez executivos estão preocupados com custos com saúde e aposentadoria para os funcionários que permanecem trabalhando. Sem ações para fortalecer o bem-estar financeiro, os funcionários ficarão a ver navios na aposentadoria - e as organizações correm o risco de pagar pela longevidade.

Nossa saúde e carreira fazem parte do bem-estar financeiro

As atitudes das empresas em relação à resiliência financeira precisarão refletir a mudança de mindset que temos visto em saúde e bem-estar – distanciando-se do tratamento da doença e buscando ações preventivas. A proteção do bem-estar financeiro ao longo de uma vida mais longa exigirá uma visão holística do indivíduo.  Isso significa analisar não só seus ativos tangíveis (incluindo poupança e propriedades), mas também os menos tangíveis, como saúde, habilidades e prontidão profissional para trabalhar por mais tempo, administrar uma empresa mesmo empregado ou até manter três ou quatro empregos flexíveis.

Construir uma estratégia para uma vida mais longa será normal, e isto se dará através de objetivos individualizados e da ajuda da empresa na avaliação se as pessoas estão no caminho certo e como preencher lacunas para atingi-las. De fato, 71% dos funcionários afirmam querer um check-up de “meia-idade” para saúde, aposentadoria, investimentos e carreira.

Em workshops que a Mercer está conduzindo com o World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), o design thinking está sendo usado para desenvolver exatamente esse tipo de visão holística num plano de vida de longo prazo. Levando em consideração circunstâncias pessoais de diferentes grupos de trabalhadores – incluindo expectativa de vida, aspirações, saúde e atuais habilidades, além de suas finanças – estamos avaliando maneiras de: imaginar novas formas de trabalhar e receber pelo trabalho; investir em habilidades para elevar o potencial das pessoas; aumentar o acesso à assistência médica e liberar fontes criativas de receita. Haverá inovações na maneira como redesenhamos o trabalho para transformar planos de vida em realidade, mas algumas das primeiras ideias que vemos incluem:

  • Reimaginar as formas de trabalho flexível

Novos formatos de trabalho (como aposentadoria em fases, “reemprego” e portfólio de carreiras e consórcio de empregadores para estruturar grupos de talentos) serão essenciais para redesenharmos a força de trabalho que viverá 100 anos. Também estamos observando experiências com diferentes padrões para trabalhadores mais velhos, incluindo permitir que eles realizem contratos baseados em projetos com proteção social adicional (algo semelhante à pessoa jurídica com benefícios adicionais). Esse modelo de trabalho, que inclui benefícios básicos como contribuição ao fundo de pensão, seguro de vida e acesso a treinamento através de um orçamento educacional, nenhum deles oferecido usualmente em contratos de terceirização tradicionais, cria uma nova abordagem, mais gratificante, para uma vida mais longa.

  • Aumentar acesso à saúde remota

Um resultado positivo da pandemia tem sido o aumento da telemedicina. Com o distanciamento social em vigor, o acesso digital/virtual a médicos e especialistas tornou-se comum. Ferramentas digitais de saúde ampliam o acesso a intervenções essenciais, particularmente em trabalhadores com salários mais baixos. Dados mostram que apenas 43% das organizações implantaram acesso remoto à saúde ou telemedicina, mas a boa notícia é que 68% dos funcionários querem investir em saúde digital nos próximos 5 anos.

  • Pensar de maneira criativa sobre a gestão do patrimônio

Vamos ser sinceros: com os produtos financeiros e a realidade demográfica que temos, “ajustar'” os planos de previdência complementar é insuficiente para garantir o bem-estar financeiro das pessoas. Poucas empresas disponibilizam ferramentas de gerenciamento financeiro pessoal. Oferecer educação financeira aos funcionários, acesso a serviços de aconselhamento e um “check-up de patrimônio” pessoal a cada cinco anos para funcionários com mais de 40 anos são algumas ideias que podem ajudar. Mas devemos ir além e repensar a aposentadoria por completo. Podemos ajudar as pessoas a pensar na sucessão entre gerações da sua própria família e até agrupar ativos (fundos ou propriedades) para obter maior potencial de retorno, por exemplo? Quais produtos de renda profissionais liberais podem precisar para suavizar a volatilidade de renda? E que tal um seguro de vida permanente ou de financiamento de dívidas de longo prazo? Como podemos facilitar o acesso em fases aos ativos dos fundos de pensão? Governos e empresas terão que trabalhar juntos para tornar produtos e soluções financeiras desatualizados mais apropriados à idade e à longevidade.

Alcançando o final do arco-íris

Redesenhar aposentadoria significa redesenhar o trabalho também. Em nossa experiência, isso significará que a linha entre emprego e trabalho autônomo e entre aposentadoria e “semi-aposentadoria” será cada vez mais tênue. E as pessoas precisarão aprender a conviver bem com isso.A vida não é mais curta demais para não corrigir algumas coisas. Vamos garantir que, do ponto de vista da resiliência financeira, medidas certas e mais ousadas sejam tomadas agora para correção do sistema de aposentadoria.

Por Yvonne Sonsino

Sócia, Co-Líder Global, Next Stage, Mercer

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